segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sanatorium

Dediquei-me várias vezes a um exercício banal que consistia em pensar instantaneamente numa palavra que definisse uma situação, um corte de pensamentos, ou ainda mais vulgarmente que não definisse nada e simplesmente tivesse ocorrido naquele momento. Depois disso, normalmente faço uma pesquina nada óbvia sobre ela e surge-me desta forma um universo paralelo que me faz feliz.
Ocorreu-me recentemente a palavra Sanatorium, há qualquer coisa nela que me arrepia e que me faz querer imediatamente recorrer ao exercício das palavras para arranjar algo que a substitua.
Hoje resolvi exorcisar o meu Sanatorium, as minhas imagens mentais dele, o espaço preto e branco, frio, solitário e cheio de gritos errantes. E entrei em campos de positivismo (resolução de ano novo, retirar sempre algo postivo das coisas, desconstruí a palavra sem recorrer a imagens e por fim cheguei ao verbo SANAR=resolvido, desmistificado,revelado.

Considero-me o meu Sanatorium in progress, e por fim estarei resolvida, desmitificada e revelada.

domingo, 16 de janeiro de 2011

angela wombat


Em tempos foram amigas, Angela era uma espécie de alter-ego daqueles forçados, em alturas de criatividade. Porém existia há muitos anos, e pintava diariamente. Doroteia gostava de escrever, Angela apenas pintava o que não conseguia dizer por palavras.

Nasceu no Cairo, e refugiou-se no Ceilão, é daquelas pessoas que se recusa a aceitar os nomes novos das coisas, até porque Ceilão, soa a chá, soa a exótico, soa a século XIX e a pachás em cima de elefantes.

Angela Wombat nasceu fora de tempo, e viveu como uma rainha, foram-lhe dedicadas canções, e devotados poemas. Era-lhe algo compulsório, o magistral.

Diz-se por aí que é a garota de Ipanema de Jobim.

Expliquem-me

Há anos e anos que estou a tentar compreender a paranóia das donas de casa com as simplórias caixas guardadoras de excedentes chamadas tupperware (erroneamente, visto isso ser uma marca, porém agora é um ícone aplicado a toda a caixa que conseguir aguentar uma sopinha dentro dela).

Começei por reparar no síndrome através da minha mãe, sempre que eu levava uma comidinha boa comigo, recomendava-me sempre que não perdesse a dita caixinha.

Depois assisti a discussões fenomenais por parte da minha tia, que reclamava para ela as tampas desaparecidas em combate, na casa da minha prima.

... até que na semana passada, conheci a faceta tupperwarezeira de mais uma primorada dona de casa, que me cedeu gentilmente uma boa dose de javali num impecavelmente lavado tupperware e nos recomendou afincadamente que não nos esquecessemos de lho devolver. Nisto dou comigo na cozinha a esfregar e esfregar e passar o dedo, na esperança que nenhuma réstia de gordura assombre a caixinha plástica mágica, porque tenho a certeza, que a dona possessiva dela me iria odiar para sempre.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quando doroteia libória...



Quis um cão. Teve-o.
... ou então, um cão chamado cat

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

o umbigo do mundo





O umbigo do mundo é lá muito longe, onde ninguém consegue chegar.
Tenho um cão mágico, daqueles que saem de histórias de feijões gigantes, fadas pequenas e irrequietas, princesas cor de rosa e principes que caçam coelhos com espingardas de algodão doce.

No olho esquerdo o meu cão tem um planeta chamado E3XAA22 (nome técnico ) conhecido por nós humanos como Pagã devido à lua que gravita na sua atmosfera. Essa lua foi descoberta em há 5 anos atrás, por um observador curioso enquanto abraçava toda a galáxia chamada Cat.

Passeio-me muitas vezes por ela também eu, e também eu descubro coisas novas a cada dia que passa, no outro dia tropeçei num buraco negro infinito, quem o conseguir atravessar, é capaz de chegar a um país de palmeiras e chás, dizem os anciãos que se chama Inbrya, como sofro de claustrofobia ainda não entrei no dito portal. Ele continua lá à minha espera, diariamente espiralado, a pedir-me um passo de coragem, porque também eu sou "valente".

Logo ao lado desse portal os comuns mortais acham muita piada à mancha negra da pelagem, coitados dos que não conseguem ver a verdade... essa mancha é um país, um micro país, com micro pessoas, micro casas, miscro cosmos. É onde tudo começa, é onde tudo acaba.

O universo cat está em mutação constante... mas a maior magia dele, é fazer-me feliz, porque todos os dias me ensina a existir.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

garrafas baças

Colecciono garrafas, tenho 5, estimadas, acarinhadas, especiais para mim, e não sou capaz de me desfazer de qualquer uma delas, logo posso considerar estas 5 garrafas uma colecção.

Eu própria me sinto uma garrafa ás vezes, retenho em mim demasiadas coisas e quando elas transbordam não há arca de Noé que salve o mundo.

As pessoas não deviam ser acumuladores de palavras, as palavras podem doer tanto, a falta delas pode doer ainda mais, quando estou assim, é quando tenho um milhão de informações que preciso atirar cá para fora e não consigo só consigo estar calada, acumular e magoar.

Ultimamente é só isso que tenho feito, estar dorida, de tanta palavra acumulada... porque de uma vez por todas, não percebo o que isto é. Não te sei ler, porque também tu és um acumulador de palavras nato.

Não posso ficar angustiada com coisas que me magoam e fazem questão de me magoar, porque é quase Natal e eu já vivi isto uma vez.

J.B.S


fantasmas presos em teias meticulosamente tecidas por aracne, não dão paz, não trazem sossego.

Manhãs anunciadas ao teu lado, graças as três graças do Rubens que me acalmam.

Um sátiro enérgico que as agarra e elas mortas de desejo, orgulhosamente se transformam em árvores.