segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Alhos e sopas

Num pequeno frame, nesse pequeno espaço de tempo, lembro-me com uma clarividência notável, de algo distante e já perdido no baú das memórias... a sopa de alho da avó, é incrivel como há coisas que nos marcam quando temos seis anos, não a tive durante muito tempo, mas bastou, para fazer de mim a criança mais feliz e especial do mundo.

Tal como o sótão da minha antiga casa, a casa da minha avozinha era um território inexplorado, e ao contrário do sótão, era imensaaaa.
Essa pessoa, que tão pouco me deixou de legado falado, existiu para mim, como alguém que me fazia acreditar que eu era grande, e que podia fazer coisas de pessoas grandes.
Fazia-me os chás de cevada, que eu acreditava piamente ser café, tinha um avental, uma vassoura, um pote e tantas outras coisinhas feitas em tamanho xxs, só para mim.
Mas o melhor de tudo eram as sopas de alho, que não sei porque me sabem tão bem nestes dias de chuva, aquecem-me a alma e fazem tudo o resto parecer tão pouco importante, e acreditar novamente nos pequenos prazeres da vida.

Adoro-te onde quer que estejas

Ps: água a frever, pão saloio cortado em pequenas fatias fininhas, um dente de alho picado, sal, e o transmontano fio de azeite :). Chuva lá fora , casa quentinha cá dentro.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dias de chuva

algo de bom vai acontecer, os positivos estão por perto...


domingo, 1 de novembro de 2009

pedidos implicitos

You


Não é necessário o esforço de encontrar uma palavra... tu falas por ti.

a minha alma partiu-se

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

o segredo

Tu és melhor que todas as outras pessoas... nunca te compares a ninguém ...


Para ser grande sê inteiro, nada teu exagera, ou exclui, Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes.

Fernando Pessoa