É muito estranho para mim estar numa biblioteca, porque não gosto de estar calada quando me apetece conversar, porque me apetece espirrar e sinto-me a invadir o espaço de alguém, porque odeio pilhas de livros desordenadas à minha volta, porque me sinto desconcentrada, por estar tão pressionada (estou na dúvida se será pressionada ou precionada) a estar concentrada, porque me sinto desconfortável sempre na mesma posição, porque sinto que o menino da minha frente está a avaliar a minha inteligência pelos livros que fui buscar, e porque não tenho um isqueiro (pois não fumo) e ele pediu-me um, e até é um gajo girito.
Entretanto descobri que dos 37 computadores pessoais aqui presentes, 23 são MAC e os restantes reles PC's...
Descobri muitas mais coisas, mas seria inútil escrevê-las, porque seriam a prova imutável que o meu trabalho não está a andar para a frente.
Quando vou a sítios destes, lembro-me de tudo o que tinha de fazer no computador que envolveria música, e é também aqui que descubro que afinal os phones brancos que tanto recriminei me dariam muito jeito agora...
Penso em muitas pessoas, penso em muitas situações tristes, nostálgicas, felizes, hilariantes, penso na minha vida, e em como tenho tentado SER algo.
Penso numa amiga querida que voltou de muito longe, e apesar de continuar a uns 300km de mim a sinto aqui ao meu lado, e como é bom sabê-la perto, e as possibilidades de situações que isso poderá criar.
Penso a mil à hora, e escrevo a essa mesma velocidade, porque todas as palavras são poucas, quando se trata de viver.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Proposta para o novo milenio.
É assustador, não sabermos onde o mundo vai parar, porque ser criativo é isso... ver para além disto, ter a certeza que não vamos parar aqui e tentar conceber o mundo daqui a algum tempo, mesmo que seja a curto prazo.
Ser criativo é por vezes sentir aquele medo, por achar "e agora??? se isto já existe, já foi inventado tudo", porque ser criativo é no fundo, necessitarmos de algo constantemente, e por isso tentarmos imaginar algo que possa preencher lacunas no nosso dia a dia.
Ser criativo é nunca estar contente, e nunca estar parado. se bem que "a preguiça é o motor do progresso"(bruno munari).
Mas isto tudo não é para falar de criatividade, e sim para dizer que o próximo passo da humanidade será a poligamia assumida, o que é aterrador, mas se formos ver, o facebook já é uma pre-concepção desse mundo novo, e o pior de tudo é que, o ser humano está a perder uma das maiores qualidades do acto de viver, que é a frontalidade e a conversa "olhada", estamos tão embrenhados em conversas cibernéticas, que gaguejamos quando temos de lidar pessoalmente com algo.
E hoje em dia é isso estamos todos interligado numa rede mundana, que só nos vai levar para muito longe daquilo que é viver.
E com isto acabo dizendo, que prefiro viver no mundo das conversas sentidas, no mundo das reacções imediatas.
Ser criativo é por vezes sentir aquele medo, por achar "e agora??? se isto já existe, já foi inventado tudo", porque ser criativo é no fundo, necessitarmos de algo constantemente, e por isso tentarmos imaginar algo que possa preencher lacunas no nosso dia a dia.
Ser criativo é nunca estar contente, e nunca estar parado. se bem que "a preguiça é o motor do progresso"(bruno munari).
Mas isto tudo não é para falar de criatividade, e sim para dizer que o próximo passo da humanidade será a poligamia assumida, o que é aterrador, mas se formos ver, o facebook já é uma pre-concepção desse mundo novo, e o pior de tudo é que, o ser humano está a perder uma das maiores qualidades do acto de viver, que é a frontalidade e a conversa "olhada", estamos tão embrenhados em conversas cibernéticas, que gaguejamos quando temos de lidar pessoalmente com algo.
E hoje em dia é isso estamos todos interligado numa rede mundana, que só nos vai levar para muito longe daquilo que é viver.
E com isto acabo dizendo, que prefiro viver no mundo das conversas sentidas, no mundo das reacções imediatas.
domingo, 18 de abril de 2010
cartas e saberes (cassandra conto II)
Escrevera-a dois anos antes. Naquele momento quando a releu, sentiu aquele arrepio lento e frio de uma maldição, era o passado, que neste presente abria uma porta para o futuro, traçando-o como se de um triste fado se tratasse.
Escrever, sabia-o ela, era a única forma possível no mundo, para sacralizar algo e também paradoxalmente o exorcizar. Aquela carta era a materialização imutável de um minuto de vida que a iria marcar indelevelmente nos 70 anos que a seguiriam. Pois foi naquele minuto, que descobriu que apenas aspirava a uma felicidade contida... medida, e só esta seria possível.
Descobriu que sempre que foi plenamente feliz, as coisas tendencialmente já não seriam maiores que aquilo e era naquele preciso momento que se começava a preocupar com o pior e a deixar de viver o presente, por sofrer com o futuro antecipado, que ela e apenas ela traçara.
Esta Felicidade plena, tinha sempre um sabor de condenação.
Era feliz apenas por ela e para ela.
Escrever, sabia-o ela, era a única forma possível no mundo, para sacralizar algo e também paradoxalmente o exorcizar. Aquela carta era a materialização imutável de um minuto de vida que a iria marcar indelevelmente nos 70 anos que a seguiriam. Pois foi naquele minuto, que descobriu que apenas aspirava a uma felicidade contida... medida, e só esta seria possível.
Descobriu que sempre que foi plenamente feliz, as coisas tendencialmente já não seriam maiores que aquilo e era naquele preciso momento que se começava a preocupar com o pior e a deixar de viver o presente, por sofrer com o futuro antecipado, que ela e apenas ela traçara.
Esta Felicidade plena, tinha sempre um sabor de condenação.
Era feliz apenas por ela e para ela.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Carlos Drummond de Andrade
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Momento
Grande filme, não há comentários possíveis a tecer, grande actriz, imortalizada pelos mestres do cinema, e acima de tudo uma das melhores bandas sonoras de sempre.
Esta música é única, e o momento em que surgiu na minha vida não poderia ter feito mais sentido.
Deixo aqui a Prima Donna do cinema Italiano, ao som do não menos magistral Ennio Morricone.
Esta música é única, e o momento em que surgiu na minha vida não poderia ter feito mais sentido.
Deixo aqui a Prima Donna do cinema Italiano, ao som do não menos magistral Ennio Morricone.
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